terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tesouro

Quem nunca ouviu histórias de um baú do tesouro enterrado em algum lugar. Quantas são as histórias sobre piratas que enterram seus tesouros em ilhas desertas e outros buscam por ele seguindo um mapa do tesouro. Lembro que, quando pequeno, ouvi a história de um campo de propriedade de um parente distante (talvez um tio-avô) em que havia sido enterrado um grande tesouro, mas ninguém sabia ao certo se ele era verdadeiro e onde estava localizado, de forma precisa. Lembro que fiquei pensando: “porque alguém enterraria um tesouro?”. Pois Jesus nos conta uma parábola de um homem que achou um tesouro enterrado em um campo. Ela está em Mateus 13.44 que segue: "O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo.”  

Pois é, era normal há muito tempo atrás, enterrar em um campo um grande tesouro que tivesse em sua posse. Este homem da parábola, ao encontrar o tesouro, escondeu-o novamente e vendeu tudo o que possuía para comprar aquele campo e tomar posse daquele tesouro. Isso demonstra que aquele tesouro era infinitamente maior do que tudo o que possuía, já que ele não teve dúvidas de que deveria vender tudo o que possuía para consegui-lo. Ele estava disposto a abandonar tudo o que possuía para conquistar aquela preciosidade. Aquele tesouro era tudo o que ele desejava.

Jesus contou esta parábola para ilustrar como é o Reino dos Céus. Em outras palavras, ele ilustrou como a pessoa que se encontra com a realidade do Céu reage diante de tão maravilhoso tesouro. 
Pois é, o Reino dos Céus é infinitamente melhor que qualquer posse na terra. No entanto, a grande maioria das pessoas vê as suas posses como algo melhor que o Reino. É o caso do jovem rico que encontrou com Jesus. O texto de Mateus 19.22 diz: “Eis que alguém se aproximou de Jesus e lhe perguntou: "Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna? " Respondeu-lhe Jesus: "Por que você me pergunta sobre o que é bom? Há somente um que é bom. Se você quer entrar na vida, obedeça aos mandamentos". "Quais? ", perguntou ele. Jesus respondeu: " ‘Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe’ e ‘amarás o teu próximo como a ti mesmo’". Disse-lhe o jovem: "A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda? " Jesus respondeu: "Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me". Ouvindo isso, o jovem afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas. Então Jesus disse aos discípulos: "Digo-lhes a verdade: Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus. E lhes digo ainda: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus". Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: "Neste caso, quem pode ser salvo? " Jesus olhou para eles e respondeu: "Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis". 

Este jovem desejava saber como obter o Reino através de boas ações, mas Jesus lhe mostra que não há boas ações suficientes para se entrar no Reino – era absolutamente impossível! E ele demonstra isso tocando no maior tesouro daquele jovem – a sua riqueza. Ele era rico e não aceitava se desfazer de seu tesouro para obter um tesouro ainda maior.

O problema daquele jovem era a sua riqueza. Mas, muitos tem outros tesouros que consideram mais importantes do que o Reino de Deus. Para muitos a família é o seu maior bem. Estes podem até procurar uma igreja, viver uma vida religiosa, mas se acontece uma tragédia na família e perdem algum ente querido, como um filho, culpam a Deus e se afastam Dele – o seu tesouro é a família. Para outros, as suas ideias são o maior tesouro. Eles sentem uma necessidade enorme, um vazio enorme, que não conseguem explicar, e quando confrontados com a palavra do evangelho não aceitam a ele pois não encontram todas as respostas para suas dúvidas – pois para muitas não há e por isso é necessária a fé. Suas riquezas são suas próprias convicções. Ainda outros têm na tradição a sua riqueza. Eles se encontram com a realidade do Reino mas não aceitam ele como um grande tesouro, pois há muitas gerações se tem pensado daquela forma, então não há como mudar. É muito comum encontrar na tradição religiosa pessoas assim. Elas são confrontadas com o evangelho e até dizem que é algo bom e agradável, mas não estão dispostas a abandonar a tradição familiar de sempre crer da mesma forma e nas mesmas coisas – ainda que nem sempre saiba o porquê. Para estes, a tradição é seu grande tesouro.

Note que muitas pessoas são apresentadas a este tão grande tesouro que é o Reino de Deus, mas nem todas o consideram como uma grande riqueza. Aliás, a grande maioria o considera algo sem valor necessário para que abandonem tudo por ele. E esta era a realidade daquele tesouro que o homem encontrou no campo. Veja bem, por mais que o terreno estivesse escondido, o homem achou-o por acaso. Aquele terreno não era dele e não faria sentido ele ficar procurando um tesouro em campos da região. Ele não era um caçador de tesouros ou coisa parecida. O homem estava passando por ali naquele momento, quando se deparou com o grande tesouro que mudou sua vida e que ele considerou tão maravilhoso que o fez abandonar tudo para que ele pudesse tê-lo. Quantas pessoas também passaram por aquele campo sem perceber ou sem reconhecer aquele tesouro? Mas foi ele quem encontrou.

Na sua caminhada da vida, você já encontrou o grande tesouro capaz de fazê-lo considerar todo o resto como algo sem utilidade perto dele? Ou você tem apenas seguido, sem perceber que há um grande tesouro disponível a você no seu caminho? Ou será que, ainda mais que isso, você talvez até tenha visto o tesouro, mas o considerou sem a devida importância? 

O apóstolo Paulo ilustra bem como é a realidade de quem encontra este tesouro em Filipenses 3.7-12: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé. Quero conhecer a Cristo, ao poder da sua ressurreição e à participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus”. 

Ele considerava tudo como esterco para poder ganhar a Cristo. E esta palavra para esterco não dava sequer a possibilidade de um reaproveitamento deste esterco, como adubo, por exemplo. Não! Era um refugo completo. Algo sem valor e sem utilidade alguma.

Assim são todas as coisas diante de tão grande tesouro que é o Reino dos Céus. Perto da realidade de estar eternamente com Cristo tudo o mais que temos, que cremos, que pensamos e que conquistamos até hoje não tem valor algum! Paul Washer afirma: Prefiro o inferno com Cristo do que um Céu de prosperidade sem Cristo”. A grande verdade é que para o cristão sincero, viver total e completamente para Deus, de forma obediente pelo simples desejo de agradá-lo, é mais que o principal objetivo de sua vida – é o único.

Por fim, reflita sobre qual a importância do Reino em sua vida a partir das palavras de John Piper: “A pergunta crucial para nossa geração, e para cada geração, é esta: se você pudesse ter o céu, sem doenças, com todos os amigos que tinha na terra, com toda a comida que gostava, com todas as atividades relaxantes que já desfrutou, todas as belezas naturais que já contemplou, todos os prazeres físicos que já experimentou, nenhum conflito humano ou desastres naturais, ficaria satisfeito com o céu, se Cristo não estivesse lá?” 

Deus o abençoe!

Por: Pr Cléber

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