Primeiramente, é preciso definir o que faz uma pessoa ser boa. No entanto, aqui não pode haver nenhum relativismo, já que a justiça não pode ser relativa – ninguém gosta de julgamentos com pesos e medidas diferentes. Bem, nós podemos partir da ideia de que uma pessoa boa é uma pessoa que não é má, já que ser mau é o contrário de ser bom. E quem é mau? Quem faz algum tipo de maldade – que podemos definir como um ato que prejudica outra pessoa. Que tal alguém que nunca roubou ou matou? A pessoa não cometeu estas maldades. Mas, e se um homem trair sua esposa, ainda que em pensamento, ele não estará fazendo um mal para ela? Bem, então ser bom vai além de não matar ou roubar. Agora, vamos imaginar que alguém tem o costume de mentir bastante, mas aquela mentirinha boba, sabe? Será que ele é bom? Bem, a questão aqui é: o que diferencia quando uma mentira é boba, ruim ou boa? Talvez você diga: a intenção. Mas, e quando alguém mata outra pessoa sem que haja intenção (homicídio culposo) ela não prejudica outra pessoa?
Pois é, a justiça deve ser vista sem relativismo, senão não é justiça. A intenção não pode ser usada como medida para um caso e para outro não, certo? Se nós aprofundássemos esta questão veríamos que não há ninguém que seja completamente inculpável; completamente justo. Da mesma forma como não podemos dizer que 2+2=5 se comparado a 2+2=8, não podemos dizer que alguém que fez menos maldades que outro é uma pessoa boa. 2+2 é quatro e ser bom é ser totalmente inculpável, totalmente sem maldade. Assim, ser bom ou ser justo não é algo possível a nós seres humanos, uma vez que todos nós fazemos coisas más e, por conseguinte, somos todos maus.
Aliás, é isto que a Bíblia fala em Romanos 3.10-20: "Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer". "Suas gargantas são um túmulo aberto; com suas línguas enganam". "Veneno de serpentes está em seus lábios". "Suas bocas estão cheias de maldição e amargura". "Seus pés são ágeis para derramar sangue; ruína e desgraça marcam os seus caminhos, e não conhecem o caminho da paz". "Aos seus olhos é inútil temer a Deus". Sabemos que tudo o que a lei diz, o diz àqueles que estão debaixo dela, para que toda boca se cale e todo o mundo esteja sob o juízo de Deus. Portanto, ninguém será declarado justo diante dele baseando-se na obediência à lei, pois é mediante a lei que nos tornamos plenamente conscientes do pecado.
Que texto duro, não?! Mas é a realidade. Nós vimos isso. E sobre a afirmação inicial, ela já muda com esta percepção que tivemos e começa a se tornar uma pergunta: “é possível crer em um Deus que manda algumas pessoas más para o inferno por não serem cristãs enquanto que outras vão para o Céu porque se tornaram cristãs?” Para responder a esta pergunta primeiro é necessário definir o que quer dizer se tornar cristão. Se tornar cristão vai além de ser chamado de cristão – o termo cristão surgiu para designar aqueles que seguiam os ensinamentos de Jesus; que eram identificados com Ele. Ser cristão então é seguir a Jesus, pertencer a Ele e viver de acordo com a Sua vontade. Ou seja, não apenas dizer crer e seguir a Jesus, mas de fato fazê-lo!
Pois bem, definido isso, o ponto central para a resposta à nossa pergunta reside em uma palavra: justificação. Continuemos no texto de Romanos 3, agora dos versículos 21-26: Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
. O termo chave aqui é justificação. A questão é: como pode alguém injusto poder ir para o junto daquele não tolera injustiça? Sendo justificado ou tornado como justo. E como isto acontece?
Imaginemos que eu roube uma galinha e seja preso por isso. Então, o juiz declara, conforme as leis do local, que para ser solto eu precise pagar uma fiança de cem reais – assim, eu já não serei mais culpado daquele delito. No entanto, eu não tinha nenhum centavo no bolso. Então alguém vem e paga o valor estipulado para que eu não tenha de pagar mais pelo crime que cometi. E assim eu sou liberto do castigo. Ou seja, eu fui justificado – tornado como justo. Mesmo tendo cometido o delito eu não estou mais passível de ser condenado por isso – o preço já foi pago. Agora, e se todas as pessoas no mundo tivessem roubado não somente uma galinha, mas um número tão grande de galinhas quanto o número de grãos de areia no deserto do Saara? Creio que todos teriam de pagar pelos seus crimes na cadeia, afinal, cada um não teria nem para pagar a sua própria fiança, imagine a de outra pessoa.
Esta é a condição de todos nós. Agora imagine que o filho do dono das galinhas, que nunca roubou nenhuma galinha, resolva pagar a fiança de todos aqueles que roubaram galinhas de seu pai, desde que creiam que foi Ele quem os libertou e agora passem a trabalhar para ele. Se a pessoa aceitar a oferta, o preço terá sido pago e ela será liberta e não terá mais sobre si a condenação. O fato é que Jesus, o Filho do dono de tudo que existe, pagou o preço com seu próprio sangue por todos aqueles que creem que Ele é o único que pode trazer libertação – Romanos 8.1 diz que “agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus”. No entanto, só é justificado quem crê – todos os outros permanecem debaixo da condenação. 1 Jo 1.8-9 nos diz: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.”
Assim, a afirmação que virou pergunta agora vira uma nova e maravilhosa afirmação: “é possível crer em um Deus que manda algumas pessoas más para o Céu quando todas as pessoas são culpadas e merecem o castigo eterno pelos seus delitos – isto só é possível pelo fato de terem sido justificados mediante a fé em Cristo Jesus que pagou o preço derramando seu próprio sangue em favor delas.” Como bem afirmou do rei Davi, citado pelo apóstolo Paulo em Romanos 4.7-8: “Como são felizes aqueles que têm suas transgressões perdoadas, cujos pecados são perdoados. Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa”.
Deus o abençoe!
Por: Pr Cléber Ribas
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